A CNA e o CEPEA realizaram o primeiro painel de custo de produção de grãos do Projeto Campo Futuro no Tocantins, em parceria com a FAET. O encontro marcou a entrada oficial do estado na rede nacional de levantamentos do projeto, ampliando a abrangência da pesquisa para mais de 90% da soja e do milho produzidos no Brasil.
Até a safra anterior, o Projeto Campo Futuro reunia cerca de 38 unidades de referência distribuídas pelas principais regiões produtoras do país. Com a inclusão do Tocantins na safra 2025/26, iniciando pela região do Vale do Araguaia, em Marianópolis, o projeto passa a oferecer um retrato ainda mais abrangente dos custos de produção de grãos no Brasil, incluindo uma nova fronteira agrícola em processo de consolidação.
O painel realizado no estado representa o ponto de partida para a construção da Unidade de Referência Técnica e Econômica (URTE) do Tocantins. A metodologia utiliza um produtor modal representativo da região para o levantamento e atualização contínua de informações relacionadas aos custos de produção, incluindo insumos, operações mecânicas, mão de obra, depreciação, custo de oportunidade da terra e dos bens utilizados na atividade. Os dados individuais permanecem confidenciais, sendo divulgados apenas os resultados regionais consolidados.
Durante a reunião, foi apresentada a propriedade-piloto escolhida para o levantamento, que opera em sistema integrado lavoura-pecuária, com 1.700 hectares destinados à produção agrícola, incluindo soja no verão e milho, sorgo e capim na safrinha, além de confinamento bovino.
A gestão da propriedade é familiar e marcada pelo processo de sucessão rural, reunindo três gerações atuando juntas na atividade, além de uma equipe fixa de 17 colaboradores. O Vale do Araguaia também foi destacado como uma região em transformação, saindo gradualmente do modelo tradicional de pecuária extensiva para a expansão da agricultura.
Segundo o produtor rural, Arnadino Santos, o projeto representa uma importante ferramenta de apoio à tomada de decisão no campo.
“ Nós precisamos de ferramentas que vocês nos trazem para nos ajudar a encontrar essa solução. Sou produtor apaixonado pelo que faço, criei meus filhos e trouxe eles para dentro da fazenda. As ferramentas que vocês nos trazem são a luz que a gente precisa para achar esse caminho”, destacou.
O produtor também ressaltou a importância da informação e da gestão para a permanência da atividade rural no mercado.
“A maioria das pessoas se preocupa pouco com esses dados, e é isso que faz a cadeia se tornar ativa ou tirar ela do mercado”, afirmou.
A partir deste primeiro levantamento, o CEPEA realizará a tabulação e validação dos dados coletados. Na sequência, a CNA, em conjunto com a FAET e sindicatos rurais da região, promoverá uma devolutiva ampliada aos produtores, em formato presencial ou online, apresentando os resultados regionais e perspectivas para a safra 2026/27, com foco em estratégias de compra de insumos e planejamento da produção.
Os produtores participantes também terão acesso a consultoria individual de planejamento financeiro com Carlos Ortiz, especialista com atuação no Itaú BBA e Rabobank.








